A Margem do Rio: Diretores revelam inspirações de filme premiado
Filme pernambucano conquista prêmios e fala sobre identidade e marginalização em Recife.
Divulgação
O longa-metragem pernambucano 'A Margem do Rio', dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias, foi o grande destaque da Première Brasil no Festival do Rio 2026. O filme, que já havia conquistado o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno, na Suíça, venceu cinco categorias na mostra competitiva carioca, incluindo a de Melhor Longa-Metragem de Ficção. Em entrevista, os cineastas compartilharam suas inspirações para a criação da obra, além da relação pessoal e profissional que deu origem ao projeto.
O que inspira a história de A Margem do Rio?
Ambientado no Recife, uma cidade marcada pela presença de rios e manguezais, 'A Margem do Rio' acompanha Izaquiel, um jovem auxiliar de serviços gerais que se envolve em encontros secretos no mangue durante a noite. Durante essa jornada, ele conhece Jeremias, um pescador enigmático. A trama se intensifica quando uma ameaça externa traz violência ao local, levando Izaquiel e Jeremias a uma aventura pelo manguezal onde realidade e mito se entrelaçam.
Os diretores destacam que a geografia recifense foi fundamental para a construção da narrativa, que aborda temas como identidade, sexualidade e marginalização. Enock Carvalho enfatiza que a inspiração principal é a própria cidade: “É uma história única situada dentro da cidade, sobre identidade, sobre sexualidade, sobre marginalização e tudo isso que está presente no Brasil, tendo como cenário os mangues do Recife”, afirmou.
Qual a relação entre os diretores e o filme?
A obra também é fruto da relação entre os diretores, que são um casal e parceiros profissionais. Matheus Farias revela que a ideia do filme foi amadurecida ao longo de quase sete anos e incorpora experiências pessoais, incluindo sua vivência dentro da igreja evangélica. “O filme surge desse sonho que temos juntos há quase sete anos e é alimentado pelas nossas experiências de vida”, explicou.
Matheus também ressaltou como suas vivências contribuíram para a narrativa: “Eu passei quase 20 anos dentro da igreja evangélica, e muitas histórias e experiências desse período influenciaram a construção do filme”, revelou. Essa conexão entre vida pessoal e criação artística é uma das características que tornam 'A Margem do Rio' uma produção singular.
Quais foram os prêmios conquistados?
Antes de sua consagração no Festival do Rio, 'A Margem do Rio' já havia sido reconhecido internacionalmente. No Festival do Rio 2026, o longa se destacou ao vencer cinco prêmios na Première Brasil, incluindo Melhor Longa-Metragem de Ficção, Melhor Atriz Coadjuvante (dividido entre Renna Costa, Artia e Ísis Broken), Melhor Fotografia, Melhor Som e o Prêmio Felix de Melhor Filme Brasileiro. Esse reconhecimento consolidou a produção como um dos principais destaques da edição.
Os diretores expressaram a expectativa em relação à recepção do público durante o Festival do Rio. A consagração do filme, tanto no Brasil quanto no exterior, reflete a relevância de suas temáticas e a força de sua narrativa, que dialoga com questões contemporâneas e se conecta com a realidade de muitos brasileiros. A Margem do Rio promete continuar gerando discussões importantes sobre identidade e marginalização, temas que são cada vez mais necessários em nossos dias.