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Distrito Federal

Agosto Lilás Intensifica Combate à Violência Contra Mulher no DF

Programas da Sejus-DF como "Por Todas Elas" e "Conversa com Eles" ampliam atendimentos que já superam 9,5 mil mulheres.

Redação Redação
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Agosto Lilás Intensifica Combate à Violência Contra Mulher no DF

Debate sobre a violência contra a mulher.

A Secretaria de Justiça e Cidadania do DF (Sejus-DF) intensifica durante o Agosto Lilás ações de combate à violência contra a mulher, com programas que já realizaram mais de 9.500 atendimentos especializados. Destaques incluem o Protocolo "Por Todas Elas", que capacita estabelecimentos comerciais, e o "Conversa com Eles", voltado para conscientização masculina.

Os dados do Ligue 180 mostram aumento de 37,1% nas denúncias no DF em 2024, totalizando 23.148 atendimentos.

Como funciona o Protocolo Por Todas Elas nos estabelecimentos?

O Protocolo Por Todas Elas representa uma iniciativa pioneira no Distrito Federal para prevenir e coibir a violência de gênero em espaços de entretenimento. Instituído em novembro de 2023, o protocolo estabelece diretrizes claras para ação em bares, casas noturnas, eventos culturais e esportivos. Estabelecimentos que aderem aos critérios recebem o Selo Por Todas Elas com validade de um ano, sinalizando ao público que o local está comprometido com a segurança feminina.

A iniciativa já capacitou mais de 400 profissionais em estabelecimentos como Arena BRB, ParkShopping, Capital Moto Week e Complexo Mané Mercado. Beatriz Paulinho da Silva, garçonete de 26 anos, relata a transformação após o treinamento: "Antes eu não tinha ideia de como agir em uma situação de assédio. Depois do treinamento, me senti mais preparada e segura para acolher uma mulher e buscar ajuda de forma correta".

Qual a importância do projeto Conversa com Eles?

O projeto Conversa com Eles inova ao direcionar ações especificamente para o público masculino, promovendo rodas de conversa em canteiros de obras, empresas e instituições públicas. A proposta busca despertar reflexão sobre masculinidades, comportamentos sociais e responsabilidade coletiva no combate à violência doméstica. Desenvolvido em parceria com Sinduscon-DF e Senai-DF, o projeto já alcançou mais de 1.500 homens desde abril de 2024.

Diego Bráulio da Silva, eletricista de 38 anos, compartilha seu aprendizado: "A gente cresce ouvindo piadas e vendo coisas erradas como se fossem normais. Depois da conversa, comecei a perceber que o respeito tem que vir em todas as situações: em casa, no trabalho, na rua". O depoimento ilustra o potencial transformador do diálogo direto com homens sobre questões de gênero.

Quantos atendimentos o programa Direito Delas já realizou?

O programa Direito Delas, criado em novembro de 2023, já realizou 9.586 atendimentos psicossociais individualizados e alcançou mais de 4.800 mulheres através de palestras e atividades coletivas. A iniciativa opera através de 11 núcleos regionais distribuídos estrategicamente pelo DF: Plano Piloto, Ceilândia, Guará, Itapoã, Paranoá, São Sebastião, Planaltina, Recanto das Emas, Samambaia, Estrutural e Gama.

Além do atendimento a mulheres em situação de violência, o programa oferece acolhimento para familiares, crianças vítimas de violência sexual e idosos em situação de vulnerabilidade. A capilaridade da rede permite que os serviços cheguem a diferentes regiões administrativas, reduzindo barreiras geográficas no acesso à proteção.

Por que as denúncias de violência aumentaram no Distrito Federal?

Os dados do Ligue 180 revelam crescimento significativo nas denúncias de violência de gênero no DF. Em 2024, o canal registrou 23.148 atendimentos, representando aumento de 37,1% em relação a 2023, que contabilizou 16.875 atendimentos. As denúncias formais também cresceram 7,3%, saltando de 2.723 para 2.923 registros.

Especialistas atribuem este aumento não necessariamente a mais casos de violência, mas sim à maior conscientização da população e à confiança nos canais de denúncia. O perfil predominante das vítimas atendidas são mulheres negras ou pardas, com idades entre 40 e 44 anos, sendo a residência o local principal onde ocorrem os episódios de violência.

Quais outras ações complementam o Agosto Lilás no DF?

Além dos programas principais, o Agosto Lilás no Distrito Federal inclui oficinas do projeto Pelo Olhar Delas, focado no fortalecimento da autoestima, identidade e empoderamento feminino. A iniciativa já impactou 733 participantes e terá suas atividades intensificadas durante o mês de conscientização. As ações buscam trabalhar não apenas a proteção, mas também a reconstrução psicológica e emocional de mulheres que vivenciaram situações de violência.

A secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, reforça o compromisso institucional: "As mulheres precisam se sentir seguras e amparadas em qualquer ambiente. O Agosto Lilás é um mês de luta, mas esse trabalho é diário e permanente. A Sejus está comprometida em promover políticas públicas que salvam vidas, transformam realidades e garantem direitos".

Como a sociedade pode participar do enfrentamento à violência?

O combate à violência contra a mulher exige envolvimento de toda a sociedade. Cidadãos podem contribuir conhecendo os sinais de violência doméstica, apoiando vítimas em seus círculos sociais e utilizando os canais de denúncia disponíveis. Estabelecimentos comerciais podem aderir ao Protocolo Por Todas Elas, enquanto empresas e instituições podem solicitar a realização do Conversa com Eles em seus espaços.

A mudança cultural necessária para erradicar a violência de gênero depende da transformação de comportamentos, linguagens e atitudes enraizadas na sociedade. As políticas públicas desenvolvidas pela Sejus-DF representam importantes passos nesta direção, mas requerem a corresponsabilização de todos os setores sociais para alcançar resultados duradouros.

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