Atenção domiciliar no DF atinge 70 mil atendimentos e humaniza saúde
Serviço da Secretaria de Saúde reduz ocupação de leitos hospitalares ao oferecer assistência multiprofissional para pacientes acamados em suas residências.
Estratégia que prioriza a humanização da assistência e a otimização da rede pública.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal alcançou a marca de 70,5 mil atendimentos domiciliares realizados ao longo de 2025, consolidando uma estratégia que prioriza a humanização da assistência e a otimização da rede pública. O serviço, coordenado por núcleos especializados, é destinado a pacientes com doenças crônicas, totalmente acamados ou que dependem de dispositivos específicos, permitindo que o tratamento seja realizado no ambiente doméstico.
A iniciativa busca não apenas o bem-estar do enfermo, mas também a liberação de leitos em unidades hospitalares e de Terapia Intensiva, garantindo que a estrutura física dos hospitais seja utilizada por casos de maior complexidade e urgência.
Como funciona a atenção domiciliar no Distrito Federal?
O modelo de assistência em domicílio funciona como uma extensão do cuidado hospitalar, levando a estrutura de saúde para dentro das casas dos brasilienses. Coordenado pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal, o programa é executado pelos Núcleos Regionais de Atenção Domiciliar, conhecidos pela sigla Nrad. Esses núcleos estão presentes em todas as regiões de saúde do DF e atuam de forma integrada com o programa Melhor em Casa, do Governo Federal. O objetivo central é proporcionar um suporte técnico que evite a permanência prolongada de pacientes em hospitais, onde o risco de infecções hospitalares é naturalmente mais elevado.
O atendimento não se resume a visitas esporádicas, mas sim a um plano terapêutico estruturado. Os profissionais realizam ações que vão desde a prevenção de agravos até cuidados paliativos, garantindo que o paciente receba a mesma qualidade técnica que teria em uma enfermaria. Essa modalidade é fundamental para o sistema público, pois permite um giro de leitos mais ágil. Quando um paciente crônico estabilizado recebe alta para o Nrad, ele continua assistido, enquanto a vaga que ele ocupava no hospital fica disponível para um novo paciente em estado crítico, otimizando o fluxo de internações em toda a capital.
Quem tem direito ao serviço do Nrad?
Para ser elegível ao acompanhamento domiciliar, o cidadão precisa atender a critérios técnicos rigorosos estabelecidos pela Secretaria de Saúde. O perfil principal abrange pessoas totalmente acamadas e que apresentam quadros de saúde que demandam monitoramento constante, mas que não necessitam obrigatoriamente da infraestrutura pesada de um hospital. Entre os casos mais comuns estão pacientes que utilizam dispositivos de ostomia, indivíduos com úlceras por pressão — as populares escaras — e aqueles que dependem de sondas alimentares, como a gastrostomia.
A avaliação técnica é o primeiro passo para o ingresso no programa. Não basta apenas o desejo da família; é necessário que o quadro clínico permita a remoção segura do hospital para a residência. O foco está em pacientes crônicos que, apesar da estabilidade, possuem limitações físicas severas que impedem o deslocamento até uma Unidade Básica de Saúde ou hospital para procedimentos de rotina, como trocas de curativos complexos, fisioterapia motora ou ajustes de medicação.
Quais profissionais compõem a equipe multidisciplinar?
Uma das grandes vantagens da atenção domiciliar no Distrito Federal é a composição das equipes. O atendimento é realizado por um grupo multidisciplinar, garantindo uma visão holística da saúde do paciente. Os núcleos são formados por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, que cuidam da parte clínica e medicamentosa. No entanto, o suporte vai além do cuidado médico tradicional. Psicólogos e assistentes sociais atuam no suporte emocional e na organização da dinâmica familiar, que muitas vezes fica fragilizada pelo peso de cuidar de um parente doente.
Além disso, o serviço conta com nutricionistas, que formulam dietas específicas para pacientes com sondas, fisioterapeutas, essenciais na manutenção da mobilidade e prevenção de problemas respiratórios, e fonoaudiólogos, que auxiliam na reabilitação da deglutição e fala. Essa rede de proteção é coordenada para que todos os profissionais sigam o mesmo plano terapêutico, discutindo o caso de forma conjunta e ajustando as condutas conforme a evolução do quadro em casa.
Como solicitar o atendimento domiciliar?
O acesso ao serviço da Secretaria de Saúde pode ocorrer por dois fluxos principais. O primeiro deles acontece durante a internação hospitalar. Quando a equipe médica da unidade percebe que o paciente já pode continuar o tratamento em casa, desde que monitorado, ela preenche formulários específicos e encaminha o pedido ao Nrad da região onde o paciente reside. Após uma análise técnica do prontuário, se o paciente preencher os requisitos, a transferência é organizada para que o suporte domiciliar comece de imediato após a alta.
O segundo fluxo ocorre por meio da atenção primária. Caso o paciente já esteja em sua residência, mas seu quadro clínico se agrave ou ele passe a ter necessidades que a equipe da Unidade Básica de Saúde não consegue suprir sozinha, a própria UBS faz o encaminhamento. Os profissionais da unidade local preenchem a documentação necessária e solicitam a avaliação do núcleo regional. Em ambos os casos, a intenção é garantir que o cidadão nunca fique desassistido, mantendo a continuidade do cuidado entre os diferentes níveis de atenção à saúde.
Qual o impacto para as famílias e cuidadores?
A presença do Nrad em regiões como Guará, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo e Estrutural transforma a rotina de quem cuida. Para muitas famílias, o suporte dos profissionais de saúde traz segurança técnica para lidar com situações complexas, como a manipulação de sondas ou a higienização de feridas profundas. A educação em saúde é um pilar do programa: os profissionais não apenas atendem o paciente, mas ensinam os cuidadores e familiares a realizar os procedimentos básicos do dia a dia, promovendo autonomia e reduzindo a ansiedade da família.
O impacto emocional de ter o ente querido no ambiente doméstico, próximo aos seus pertences e rotinas familiares, é imensurável e contribui diretamente para a melhora clínica em muitos casos. A humanização proposta pela atenção domiciliar reduz o isolamento social do doente e fortalece os vínculos afetivos, elementos que são comprovadamente benéficos em tratamentos de longa duração ou em cuidados paliativos. Além disso, o suporte logístico, com a entrega de insumos e medicamentos específicos, alivia o peso financeiro e operacional sobre as famílias de baixa renda da região.