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Brasil tenta acordo tarifário com EUA para evitar sobretaxa

Governo busca alternativa à tarifa de 25% sugerida pelo USTR, visando um entendimento benéfico para ambos os países.

Redação Redação
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Brasil tenta acordo tarifário com EUA para evitar sobretaxa

© Alan Santos/PR

O governo brasileiro está em negociações com os Estados Unidos para estabelecer um acordo tarifário que possa evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre importações brasileiras, recomendada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A estratégia do Brasil visa encontrar uma solução que seja mais vantajosa para ambos os países, apesar das dificuldades nas negociações.

O que muda para o cidadão?

Se o acordo tarifário for alcançado, poderá haver um impacto positivo no comércio entre os países, potencialmente reduzindo os preços de produtos importados e beneficiando consumidores brasileiros. A tarifa de 25% poderia encarecer produtos oriundos dos EUA, afetando principalmente setores que dependem de insumos e tecnologias norte-americanas.

A recomendação do USTR, que se tornou pública recentemente, é resultado de uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que acusa o Brasil de práticas comerciais desleais, incluindo alegações de favorecimento a sistemas de pagamento locais como o Pix. A resposta do governo brasileiro tem sido de que os argumentos apresentados são infundados e refletem uma tentativa de ingerência nos assuntos internos do país.

Quem tem direito ao benefício?

O potencial acordo tarifário beneficiaria tanto importadores brasileiros que dependem de produtos dos EUA quanto consumidores que utilizam esses produtos em seu dia a dia. A expectativa é que, ao evitar a sobretaxa, o acesso a uma gama de bens e serviços seja mantido, evitando um aumento nos custos que poderia ser repassado ao consumidor final.

Além disso, a negociação se dá em um contexto onde o Brasil já aplica uma tarifa média de 2,7% sobre importações dos EUA, o que questiona a legitimidade das reclamações norte-americanas sobre o acesso ao mercado brasileiro. O governo brasileiro argumenta que a aplicação de tarifas adicionais não seria justificável à luz da taxa já existente.

Desafios nas negociações

Um dos principais desafios enfrentados pelo Brasil nas negociações é a agenda complexa dos EUA em relação a tarifas comerciais, que inclui várias tratativas com outros países e a situação de conflitos em andamento, como o que ocorre no Oriente Médio. Além disso, o governo brasileiro cogita a realização de um novo encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que poderia ocorrer durante a cúpula do G7 na França, mas ainda não há confirmação.

Os EUA costumam ter demandas amplas em suas negociações, o que pode dificultar a obtenção de um acordo focado apenas em tarifas, sem abordar outros temas que possam ser do interesse americano, como a questão das terras raras. O governo brasileiro tem sido claro ao afirmar que o sistema de pagamentos Pix não faz parte de qualquer negociação com Washington.

As dificuldades também se estendem à tarifa de 12,5% que está sendo aplicada a 60 países sob a justificativa de que não estariam combatendo adequadamente o trabalho análogo à escravidão. Essa taxa é considerada pelo governo brasileiro como uma medida pouco negociável, uma vez que afeta nações com as quais os EUA têm laços históricos, incluindo Japão, União Europeia e Canadá.

Em meio a esse cenário, o Brasil continua a trabalhar em busca de um acordo tarifário que possa ser finalizado antes do prazo estipulado pela USTR, que é 15 de julho. Embora esse prazo possa ser prorrogado, os negociadores brasileiros esperam garantir um entendimento que evite a sobretaxa e melhore as relações comerciais entre os dois países.

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