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Cultura & Lazer

BTS decide não participar do Grammy 2027 em protesto

Grupo sul-coreano critica nova categoria de Melhor Performance de Música Pop Asiática e gera debate sobre a indústria musical.

Redação Redação
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BTS decide não participar do Grammy 2027 em protesto

Reprodução/Instagram

O BTS, famoso grupo sul-coreano, anunciou que não se inscreverá para o Grammy Awards 2027, uma decisão que gerou grande repercussão no cenário musical. Os integrantes da banda afirmam que o gesto é um protesto contra a criação da nova categoria de Melhor Performance de Música Pop Asiática, que, segundo eles, pode marginalizar a música produzida fora do eixo anglófono. A discussão sobre quem perde mais com essa decisão, o BTS ou a premiação, tem movimentado especialistas e fãs.

O que muda para a indústria musical?

A coordenadora da Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus), Dani Ribas, destaca que a questão central não é apenas quem se prejudica, mas o que essa decisão revela sobre as dinâmicas de poder na indústria musical global. Nos últimos anos, a música de diversas culturas além da anglófona, como reggaeton e funk brasileiro, ganhou destaque e relevância. Esse fenômeno demonstra uma transformação no mercado musical, exigindo investimentos em diferentes mercados e uma nova abordagem das premiações.

Ribas ressalta que a criação de uma categoria específica para a música pop asiática pode parecer um reconhecimento, mas também pode resultar em uma forma de confinamento. A música em inglês continua a ser vista como universal, enquanto outras produções são rotuladas como periféricas. Essa dinâmica reforça a ideia de que o centro da indústria musical não precisa se identificar, enquanto a periferia é obrigada a carregar um sobrenome.

Quem se beneficia com a decisão do BTS?

A justificativa dos músicos coreanos para a recusa em participar do Grammy é considerada válida por muitos especialistas. Dani Ribas argumenta que a inclusão de categorias específicas só é positiva se permitir que artistas de diferentes origens concorram também nas principais categorias. O gesto do BTS não apenas denuncia uma lógica excludente, mas também se recusa a apoiá-la, transformando sua ausência em uma declaração pública de princípios.

Além disso, a pesquisadora musical Kamille Viola destaca o caráter estratégico da posição do BTS. A ampla base de fãs do grupo ajuda a colocar a discussão sobre a representatividade na música em evidência, aumentando a pressão sobre a premiação para que reveja suas políticas e categorias. Essa mobilização pode gerar um impacto significativo na forma como a indústria musical lida com a diversidade de gêneros e artistas ao redor do mundo.

A decisão do BTS reflete um movimento maior dentro da música, onde artistas de diversas origens buscam reconhecimento e igualdade de condições nas premiações. À medida que a indústria musical evolui, a pressão para que as premiações se adaptem a essa nova realidade tende a aumentar, desafiando as tradicionais dinâmicas de poder e representação.

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