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Cultura & Lazer

Cassandra Rios, a mais censurada, terá romances reeditados

Romances eróticos lésbicos de Cassandra Rios serão relançados pela editora Relicário Edições em 2027, resgatando sua contribuição à literatura.

Redação Redação
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Cassandra Rios, a mais censurada, terá romances reeditados

Reprodução

A escritora Cassandra Rios, reconhecida como a autora mais censurada do Brasil, terá dois de seus romances eróticos lésbicos reeditados. O lançamento está previsto para 2027 e será realizado pela editora mineira Relicário Edições. A iniciativa busca resgatar a memória e o legado da autora, que foi pioneira na literatura sáfica brasileira, enfrentando a censura ao longo de sua carreira.

O que muda com a reedição?

Os romances que serão relançados são "Um Escorpião na Balança" (1965) e "A Santa Vaca" (1984). O primeiro narra a história de uma mulher que abandona o noivo para viver um romance com outra mulher, enquanto o segundo reflete sobre a perseguição e os preconceitos enfrentados pela própria Rios durante sua vida. A reedição visa não apenas trazer de volta essas histórias, mas também promover uma reflexão sobre o papel da literatura na visibilidade da diversidade sexual.

Maíra Nassif, editora-fundadora da Relicário, destaca que a reedição é um gesto de justiça, permitindo que a literatura cumpra sua função de dar visibilidade a personagens e histórias que, embora tenham sempre existido, foram silenciadas. Ao trazer de volta as obras de Cassandra, a editora espera também inspirar novas gerações a conhecerem a trajetória de uma mulher que desafiou a censura e viveu sua liberdade.

Quem foi Cassandra Rios?

Nascida em 1932, no bairro de Perdizes, em São Paulo, Odete Rios, sob o pseudônimo de Cassandra, lançou mais de 100 obras ao longo de sua carreira, que se estendeu por cinco décadas. Seu primeiro livro, "Volúpia do Pecado" (1948), foi escrito quando tinha apenas 16 anos e refletia suas próprias experiências de vida. Ao longo de sua trajetória, 36 de suas obras foram alvo de censura durante a Ditadura Militar nos anos 1970, tornando-a uma figura emblemática da resistência intelectual e do movimento LGBTQIA+ no Brasil.

Cassandra Rios não apenas escreveu sobre o amor entre mulheres, mas também desafiou os estigmas e preconceitos da sociedade da época com uma escrita ousada e sensível. Sua relação com Vera Ortega, conhecida como Pabla, nunca foi escondida, evidenciando sua postura de resistência. O relançamento de suas obras é uma oportunidade para que novas gerações conheçam sua importância na literatura e na luta pelos direitos LGBTQIA+.

Com a reedição, espera-se que as histórias de Cassandra Rios voltem a ser discutidas e apreciadas, reafirmando sua relevância na cultura brasileira. O projeto está sendo coordenado por Joice Nunes, que se dedica a garantir que a qualidade e o cuidado exigidos pela obra da autora sejam respeitados. A expectativa é que os novos lançamentos não apenas alcancem os leitores antigos, mas também introduzam Cassandra Rios a um público completamente novo, que poderá se inspirar em sua coragem e autenticidade.

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