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Empresas devem atuar no combate à violência de gênero no Brasil

Secretário do Ministério do Desenvolvimento defende ações preventivas e culturais para enfrentar feminicídios.

Redação Redação
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Empresas devem atuar no combate à violência de gênero no Brasil

Empresas têm um papel crucial no combate à violência de gênero no Brasil, conforme destacou Márcio Rosa, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, durante evento no Rio de Janeiro. Ele enfatizou que as companhias devem atuar em três frentes principais: prevenção, intervenção e acolhimento.

Segundo Rosa, a mudança cultural necessária para enfrentar as causas do elevado número de feminicídios no país deve ser impulsionada pelo setor produtivo. Dados recentes indicam que, em média, seis mulheres são assassinadas diariamente no Brasil, de acordo com o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pela Universidade Estadual de Londrina. Em 2022, foram registradas 2,1 mil mortes e 4,7 mil tentativas de feminicídio.

O que as empresas podem fazer para ajudar?

No evento, intitulado Responsabilidade Empresarial no Enfrentamento ao Feminicídio, à Violência de Gênero e pela Transformação Cultural, promovido pela Petrobras e Banco do Brasil, Rosa argumentou que a abordagem não deve se restringir ao endurecimento das leis após a ocorrência de crimes, mas sim à implementação de ações preventivas. "Das empresas, o que se espera é a prevenção, a intervenção, o acolhimento, o suporte", afirmou.

Como a cultura empresarial pode mudar?

O secretário também criticou a falta de ação das empresas, que ele classificou como uma "omissão institucional", uma falha ética que perpetua a violência. Ele destacou que práticas corporativas que desencorajam denúncias ou expõem as vítimas são prejudiciais e que é essencial criar canais seguros para que as funcionárias possam reportar abusos. Rosa apontou que é fundamental combater a cultura permissiva que tolera qualquer forma de assédio ou violência.

Quem são os protagonistas na mudança?

Rosa propôs que as mulheres assumam um papel central na elaboração de políticas internas, apoiadas pela alta gestão das empresas. "A cultura só muda quando vem acompanhada de ações cotidianas, concretas e naturais", disse. Ele ressaltou o compromisso do ministério com o tema, mencionando que o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio envolve governo e sociedade civil e que apenas uma atuação conjunta pode romper o ciclo de violência.

Durante o evento, a empresária Luiza Trajano, fundadora da Magazine Luiza, compartilhou a experiência do Canal Mulher, criado para ajudar funcionárias vítimas de violência doméstica. O canal foi desenvolvido após um caso de feminicídio em 2017 e oferece suporte psicológico e jurídico. A empresa já auxiliou funcionárias, inclusive pagando aluguel para que pudessem se afastar de seus agressores. Em 2019, o aplicativo da Magazine Luiza incorporou um botão de denúncia que aciona diretamente o serviço 180, facilitando o acesso à ajuda.

O secretário Márcio Rosa concluiu que a urgência dessa pauta é evidente e que as medidas precisam ser tomadas imediatamente, dado o grave cenário da violência de gênero no Brasil.

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