Fome mundial afeta 645 milhões, aponta relatório da ONU
Relatório da FAO revela queda na fome global, mas destaca desigualdades entre continentes e grupos populacionais.
© Foto: FAO/Albert Gonzalez Farran
Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) revela que, em 2025, aproximadamente 645 milhões de pessoas no mundo viviam em situação de fome. Este número representa uma redução de quase 14 milhões em relação a 2024 e de 43 milhões em comparação com 2022. As informações estão contidas no relatório "O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026" (SOFI, na sigla em inglês), elaborado por cinco instituições, incluindo a FAO, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O estudo, divulgado nesta terça-feira (21) na sede da FAO em Roma, Itália, aponta que a prevalência da fome global atingiu 7,8% da população mundial.
O que significa a redução da fome global?
A diminuição nos índices de fome é um sinal positivo, especialmente considerando que, em 2026, a taxa era de 8,6% e caiu para 8,1% em 2024. Contudo, o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, enfatizou a necessidade de ações mais rápidas e efetivas para erradicar a fome e melhorar a qualidade das dietas. Durante o evento, ele comentou que o comprometimento político e investimentos contínuos são essenciais para que se possa viabilizar dietas saudáveis e acessíveis.
A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil, Fernanda Machiaveli, também abordou o tema, ressaltando que a fome é um problema evitável. Segundo ela, quando os governos priorizam o combate à fome, pobreza e desigualdade, é possível alcançar avanços significativos na segurança alimentar. Essa afirmação alinha-se com a necessidade de políticas públicas focadas na erradicação da fome.
Como está a situação da insegurança alimentar no mundo?
O relatório da FAO também destacou os avanços em relação à insegurança alimentar moderada e severa. Estima-se que 25,8% da população mundial, cerca de 2,1 bilhões de pessoas, enfrentavam insegurança alimentar em 2025. Embora tenha havido uma queda em relação aos 27,1% em 2024 e 28,7% em 2020, os números ainda estão acima dos níveis pré-pandemia. Essa condição é caracterizada pelo consumo insuficiente de alimentos saudáveis e de qualidade.
Além disso, a situação apresenta disparidades significativas entre os continentes. Enquanto a Ásia e a América Latina mostram melhorias graduais, a África continua a ser o continente com o maior número absoluto de pessoas famintas. A FAO estima que 20% da população africana, ou cerca de 309 milhões de pessoas, enfrentaram a fome em 2025. Em comparação, a América Latina e o Caribe têm índices muito menores, com 22,9% da população enfrentando insegurança alimentar.
Quais grupos populacionais são mais afetados?
A insegurança alimentar continua a impactar desproporcionalmente áreas rurais em comparação às urbanas, e as mulheres permanecem entre os grupos mais vulneráveis. No entanto, a diferença de gênero na segurança alimentar diminuiu ligeiramente em 2025. Globalmente, apenas 62,7% das mulheres entre 15 e 49 anos alcançaram a diversidade alimentar mínima, o que destaca a necessidade de políticas específicas voltadas para a população feminina.
O relatório da FAO traz à tona a urgência de se adotar medidas eficazes e abrangentes para combater a fome e a insegurança alimentar em todo o mundo. Com os dados apresentados, fica evidente que, apesar dos avanços, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que todas as pessoas tenham acesso a alimentos suficientes e nutritivos.