Fundos multimercado enfrentam queda acentuada e abandonos
Após anos de resultados insatisfatórios, grandes gestoras descontinuam atividades com fundos multimercados, gerando preocupação entre investidores.
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Os fundos multimercado, que se destacaram como uma alternativa atrativa para investidores que desejavam diversificar seus portfólios sem acompanhar de perto as oscilações do mercado, enfrentam uma crise significativa. Após alcançar quase R$ 2 trilhões em patrimônio em 2019, esse volume caiu para R$ 1,6 trilhão. A Anbima reporta que 90 gestoras perderam mais de 50% do valor administrado em fundos nos últimos anos, o que resultou na fuga de investidores e no fechamento de operações por grandes gestoras.
O que está levando os investidores a abandonarem os fundos multimercado?
A debandada de investidores se intensificou após a constatação de resultados insatisfatórios. Gestoras tradicionalmente respeitadas, como a Gávea Investimentos, fundada pelo ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, encerraram suas atividades na gestão de fundos multimercados de terceiros em agosto deste ano, após 23 anos de operação. Os ativos remanescentes, que somavam R$ 20 bilhões, foram transferidos para a Bradesco Asset, evidenciando a falta de confiança no setor.
Outro exemplo preocupante é a TAG Investimentos, que, com R$ 18 bilhões sob gestão, decidiu zerar sua alocação em fundos multimercados. Enquanto isso, a Verde Asset, liderada pelo renomado gestor Luis Stuhlberger, viu seu patrimônio despencar de R$ 59,3 bilhões em julho de 2021 para apenas R$ 12,7 bilhões em julho de 2026, representando uma queda de 78,6% — a maior registrada pela Anbima até o momento.
Quais são as alternativas aos fundos multimercado?
Os fundos multimercado são projetados para permitir que os gestores diversifiquem investimentos em diferentes segmentos, incluindo ações, moedas e renda fixa. No entanto, até agosto deste ano, a rentabilidade média dos fundos multimercados foi de apenas 5,7%, enquanto o CDI acumulou 9,3%. Um estudo da consultoria Economatica, que analisou setenta fundos, revelou que apenas cinco superaram o CDI no primeiro semestre de 2025.
A alta taxa de juros no Brasil tem sido um fator crucial para a queda de popularidade dos fundos multimercados. Papéis como LCIs, LCAs, debêntures de infraestrutura e títulos públicos começaram a oferecer retornos altos e previsíveis, além de baixo risco, tornando-se opções mais atraentes para os investidores. A renda fixa, por sua vez, acumulou R$ 59,4 bilhões em entradas líquidas no primeiro semestre de 2025, enquanto os multimercados enfrentavam resgates bilionários.
Diante deste cenário, os fundos multimercados precisam urgentemente reavaliar suas estratégias para recuperar a confiança dos investidores. As gestoras que permanecem no mercado devem buscar inovações e revisões em seus modelos de gestão para se adaptar a um ambiente financeiro cada vez mais desafiador e competitivo.