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Educação

Matrículas no ensino superior público do DF crescem 77% em seis anos

Expansão da UnDF impulsiona acesso à graduação com novos cursos e investimento de R$ 25 milhões para a implementação do campus de Ceilândia em 2026.

Redação Redação
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Matrículas no ensino superior público do DF crescem 77% em seis anos

Universidade do Distrito Federal (UnDF)


O número de estudantes matriculados na rede pública de ensino superior do Distrito Federal registrou um crescimento expressivo de 77% no período compreendido entre 2019 e 2024. De acordo com dados oficiais do Censo da Educação Superior, o contingente de alunos saltou de 773 para 1.371 no intervalo de seis anos. O levantamento abrange as matrículas efetuadas na Universidade do Distrito Federal (UnDF), na Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs) e na Escola de Governo (ESG), instituições geridas pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Este avanço é atribuído à consolidação da UnDF, que ampliou a oferta de vagas e cursos a partir de 2022, estruturando o sistema público distrital de ensino superior para atender a demanda crescente da população local.

O que explica o aumento das matrículas no DF?

O salto estatístico observado nos últimos anos é reflexo direto de uma política pública de expansão educacional iniciada com a criação da UnDF em 2021. Antes da fundação da universidade, a oferta pública de ensino superior vinculada diretamente ao governo local era concentrada em áreas específicas, como a saúde, por meio da Escs. Com a estruturação da nova universidade, o DF passou a contar com uma carreira docente própria, um fundo de financiamento vinculado e uma estrutura administrativa dedicada exclusivamente ao ensino superior, à pesquisa e à extensão.

A implementação da UnDF permitiu que o Distrito Federal cumprisse metas estabelecidas no Plano Distrital de Educação. A lei que instituiu a universidade não apenas criou a entidade, mas garantiu a sustentabilidade financeira por meio de recursos cumulativos. Isso possibilitou que, a partir de 2022, a instituição avançasse na elaboração de projetos pedagógicos modernos, na realização de concursos públicos para professores e técnicos, e na ocupação de espaços físicos em diferentes regiões administrativas, democratizando o acesso ao conhecimento acadêmico.

Quais cursos estão disponíveis na UnDF atualmente?

A evolução do portfólio acadêmico da instituição foi acelerada. Em 2023, a universidade iniciou suas atividades com nove cursos de graduação e 360 vagas. Já em 2024, esse número foi ampliado, consolidando cursos em áreas variadas como Psicologia, Gestão Ambiental, Nutrição e licenciaturas. Até o ano de 2025, o total de cursos oferecidos chegou a 19, distribuídos em unidades situadas no Lago Norte, Asa Norte e Samambaia.

Essa diversificação curricular visa atender tanto a vocação econômica do Distrito Federal quanto a necessidade de formação de profissionais qualificados para o setor público e privado. A estratégia pedagógica foca na integração entre teoria e prática, incentivando o aluno a compreender a realidade social em que está inserido. Cursos como Gestão Ambiental, por exemplo, tornam-se estratégicos diante dos desafios de sustentabilidade da capital, enquanto a graduação em Psicologia supre uma demanda histórica por formação pública nesta área na região.

Como será o novo campus em Ceilândia?

Para o ano de 2026, o Governo do Distrito Federal planeja um investimento de aproximadamente R$ 25 milhões destinados ao fortalecimento da estrutura acadêmica e à viabilização do novo campus da UnDF em Ceilândia. A escolha da região administrativa é estratégica, visto que Ceilândia possui um dos maiores contingentes populacionais do DF, com uma massa jovem que, muitas vezes, encontra barreiras geográficas e financeiras para acessar o ensino superior.

A unidade de Ceilândia funcionará em um prédio locado mediante um contrato de R$ 110,5 milhões válidos por cinco anos. A expectativa é que o campus inicie suas operações ainda neste semestre, oferecendo cursos com alta demanda, como Enfermagem e Nutrição. A descentralização do ensino superior é vista pela reitoria da universidade como uma forma de reconhecimento de territórios que tradicionalmente possuem menos perspectivas de ingresso no mercado de trabalho qualificado ou na vida acadêmica.

Qual o impacto da assistência estudantil na permanência?

Um dos grandes desafios apontados pela gestão da UnDF não é apenas a abertura de novas vagas, mas a garantia de que o estudante consiga concluir o curso. Para isso, a universidade estruturou políticas robustas de assistência estudantil. Entre as ações implementadas estão auxílios para transporte, alimentação e programas voltados para estudantes que possuem filhos, como o auxílio-creche. A instituição também oferece suporte em saúde mental, reconhecendo o desgaste emocional que a rotina acadêmica pode causar.

Além dos auxílios financeiros diretos, a universidade investe em bolsas de iniciação científica e inovação. Para 2025, o número de bolsas ofertadas dobrou, passando de 30 para 60 benefícios. Esses programas permitem que o aluno se dedique integralmente aos estudos e à pesquisa, recebendo uma remuneração que auxilia na manutenção pessoal enquanto contribui para o desenvolvimento científico da região. A meta é criar um ecossistema onde o aluno se sinta acolhido e motivado a seguir para a pós-graduação.

Como funciona o processo seletivo para as vagas remanescentes?

Para manter o fluxo de ocupação e garantir que nenhuma vaga pública seja desperdiçada, a UnDF publica periodicamente editais para o preenchimento de vagas remanescentes. Para o primeiro semestre de 2026, estão previstas 214 vagas destinadas a estudantes que já realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em edições anteriores ou que desejam realizar transferência facultativa e ingresso como portador de diploma.

Esses processos seletivos complementares são fundamentais para manter as turmas completas e oferecer oportunidades a quem não conseguiu ingressar pelo processo seletivo principal. Os interessados devem acompanhar as publicações no Diário Oficial do Distrito Federal e no portal oficial da universidade, onde são detalhados os critérios de pontuação e os documentos necessários para a matrícula. A transparência e a agilidade nesses editais têm sido marcas da gestão para otimizar os recursos públicos investidos em cada vaga.

O ensino superior público no DF gera retorno para a sociedade?

O retorno social do investimento na UnDF, Escs e ESG é mensurado pelo aumento no número de profissionais diplomados que ingressam anualmente no mercado de trabalho. Entre 2019 e 2024, as instituições públicas do DF formaram 929 novos profissionais. O número de concluintes por ano subiu de 123 para 191 no mesmo período. Esses novos graduados atuam majoritariamente no próprio Distrito Federal, suprindo carências em hospitais, escolas, órgãos públicos e empresas privadas.

A formação oferecida por essas instituições é orientada pela responsabilidade social. Estudantes de cursos da área de saúde, por exemplo, realizam estágios na rede pública de saúde do DF desde os primeiros semestres, auxiliando no atendimento à população e fortalecendo o Sistema Único de Saúde (SUS). Da mesma forma, os cursos de licenciatura preparam professores que atuarão nas escolas da rede básica do Distrito Federal, fechando um ciclo de desenvolvimento educacional que beneficia toda a comunidade.

O fortalecimento do ensino superior público no Distrito Federal consolida a região como um polo de excelência acadêmica e científica. Com a expansão física para regiões como Ceilândia e Samambaia, e o robusto investimento em pessoal e infraestrutura, a expectativa é que os índices de matrículas e conclusões continuem em trajetória ascendente nos próximos anos, consolidando a universidade pública como um pilar de desenvolvimento socioeconômico para os cidadãos brasilienses.

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