Polícia Civil fecha mineração de criptomoedas clandestina em São Sebastião
Operação conjunta entre PCDF e Neoenergia desativou 90 máquinas que furtavam luz; prejuízo estimado ultrapassa os R$ 400 mil e afetava moradores
Operação conjunta da PCDF e Neoenergia.
Uma operação conjunta realizada na última semana desarticulou um esquema sofisticado de furto de energia elétrica voltado para a mineração de criptomoedas em São Sebastião, no Distrito Federal. A ação, coordenada pela Neoenergia em parceria com a 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião), resultou na desativação de dois estabelecimentos que operavam de forma clandestina, causando instabilidade na rede elétrica local e prejuízos financeiros significativos.
Como funcionava o esquema criminoso?
Durante as fiscalizações, as equipes técnicas e os agentes policiais encontraram uma infraestrutura robusta montada exclusivamente para a validação de transações de ativos digitais. Ao todo, foram apreendidas cerca de 90 máquinas de alto desempenho, conhecidas no mercado como ASICs (Application Specific Integrated Circuits), que operavam ininterruptamente, 24 horas por dia.
Esses equipamentos estavam conectados diretamente à rede de distribuição de energia sem passar pelo medidor, prática popularmente conhecida como "gato". A ligação clandestina permitia que os criminosos operassem sem arcar com os custos operacionais, que são o principal gargalo financeiro para a atividade de mineração de criptomoedas no Brasil, devido às tarifas de energia.
Qual o impacto para a rede elétrica local?
A descoberta dos pontos de mineração ilegal ocorreu após o monitoramento de sobrecargas atípicas na região de São Sebastião. A atividade demandava uma quantidade de energia desproporcional para a infraestrutura instalada naquelas ruas. Segundo estimativas da Neoenergia, o consumo irregular das duas instalações equivalia ao abastecimento mensal de aproximadamente 3 mil residências.
Essa demanda excessiva e não prevista no planejamento da distribuidora era a causa direta de constantes interrupções no fornecimento de energia para a vizinhança. Moradores, comerciantes e produtores rurais da região vinham sofrendo com oscilações de tensão e quedas de luz, o que podia ocasionar a queima de eletrodomésticos e prejuízos a atividades econômicas locais. O furto de energia desestabiliza transformadores e cabos, que não são dimensionados para suportar a carga extra exigida por dezenas de supercomputadores ligados simultaneamente.
Por que a mineração consome tanta energia?
Para entender a gravidade do furto, é necessário compreender a natureza da mineração de criptomoedas. Esse processo envolve a resolução de problemas matemáticos complexos para validar transações em uma blockchain e criar novas unidades de moedas digitais. Esse trabalho exige um poder computacional massivo.
As máquinas utilizadas geram muito calor e precisam de sistemas de refrigeração potentes, que também consomem eletricidade. Em um cenário legalizado, a conta de luz representa a maior despesa de uma operação desse tipo. Ao furtar a energia, os criminosos aumentam exponencialmente sua margem de lucro, transferindo o custo para a concessionária e, indiretamente, para a sociedade. O prejuízo financeiro direto causado por essas duas operações em São Sebastião foi estimado em R$ 400 mil.
Quais são as consequências legais?
Após a identificação das irregularidades e a constatação técnica do furto, os responsáveis pelos imóveis foram identificados e conduzidos à 30ª Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) instaurou inquérito para investigar a extensão dos crimes, que podem ir além do furto de energia, englobando também lavagem de dinheiro e associação criminosa, dependendo do andamento das apurações.
O furto de energia elétrica é tipificado como crime no artigo 155 do Código Penal Brasileiro. A pena prevista para essa infração pode chegar a oito anos de reclusão, além de multa. No âmbito administrativo, a Neoenergia aplicou Termos de Ocorrência de Irregularidade (TOIs), que são instrumentos legais para a cobrança retroativa de toda a energia desviada durante o período de funcionamento clandestino.
Como a população é afetada financeiramente?
Além dos riscos físicos e dos transtornos com a falta de luz, o furto de energia traz consequências econômicas para todos os consumidores regulares. No Brasil, as chamadas "perdas não técnicas" — que englobam furtos e fraudes na rede elétrica — são parcialmente repassadas para as tarifas de energia durante os processos de revisão tarifária aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Isso significa que o consumidor honesto, que paga suas contas em dia, acaba subsidiando parte do prejuízo causado por quem comete o crime. Portanto, combater as ligações clandestinas não é apenas uma questão de segurança pública e estabilidade da rede, mas também uma medida de justiça tarifária para a população do Distrito Federal.
Como denunciar irregularidades?
A colaboração da comunidade é uma ferramenta essencial para o combate a esse tipo de crime. Muitas vezes, vizinhos percebem movimentações estranhas, barulho excessivo de ventoinhas ou oscilações frequentes na luz, indícios que podem apontar para atividades ilegais de alto consumo energético.
A Neoenergia disponibiliza canais de denúncia que garantem o total anonimato do informante. As denúncias podem ser realizadas pelo telefone 116 ou presencialmente nas lojas de atendimento da distribuidora espalhadas pelas cidades satélites. A conscientização e a denúncia são fundamentais para garantir a qualidade do serviço e a segurança de toda a rede elétrica.