Projeto de oralitura em Brazlândia é apresentado a educadores nacionais
Iniciativa do Caic visa promover a identidade cultural e melhorar a proficiência em leitura e escrita entre estudantes.
Apresentação do projeto “Quando as palavras criam o mundo: oralitura e identidade nos anos iniciais”, desenvolvido pelo coordenador do Caic, Antônio da Silva Junior | Fotos: Mary Leal/SEEDF
No dia 5 de outubro, o Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic) Professor Benedito Carlos de Oliveira, localizado em Brazlândia, recebeu professores e pesquisadores de todo o Brasil para a apresentação do projeto "Quando as palavras criam o mundo: oralitura e identidade nos anos iniciais". A atividade foi promovida pela Rede de Trocas de Educação Integral, uma ação do Ministério da Educação (MEC), e teve como principal objetivo fortalecer as políticas públicas voltadas à educação integral.
O que é o projeto de oralitura?
O projeto, idealizado pelo coordenador do Caic, Antônio da Silva Junior, utiliza metodologias de ensino inspiradas na cultura Iorubá, um grupo étnico africano que faz parte da formação da cultura afro-brasileira. Voltado para alunos do Ensino Fundamental I, a proposta explora narrativas orais chamadas itans, que são histórias tradicionais que transmitem valores como justiça, honestidade e respeito.
Durante as atividades, os alunos têm a oportunidade de ouvir atentamente as narrativas contadas pelo professor, refletir sobre os ensinamentos e reescrever as histórias a partir de suas próprias experiências. Essa abordagem visa não só aprimorar a proficiência em leitura e escrita, mas também resgatar e valorizar a identidade cultural dos estudantes.
Quem participou do encontro e qual o impacto esperado?
O evento contou com a presença de representantes de estados como Rio Grande do Norte, Maranhão e Pernambuco, todos envolvidos em projetos reconhecidos por suas práticas de excelência em Educação Integral em Tempo Integral. A troca de experiências entre os educadores é fundamental para expandir as boas práticas e fortalecer a rede de ensino nacional.
O docente Antônio da Silva Júnior destacou que a ideia do projeto surgiu como uma resposta às dificuldades pedagógicas e sociais enfrentadas pela unidade. Ele observou que a pandemia agravou o cenário de proficiência em leitura e escrita, especialmente entre os alunos, e que era necessário buscar soluções que respeitassem e valorizassem as culturas não hegemônicas. Segundo ele, o projeto também visa combater a visão reduzida que muitas vezes se tem das narrativas africanas, que são frequentemente relegadas ao campo da mitologia.
Qual a importância da oralidade na educação?
O professor enfatizou a relevância da oralidade como um meio de preservar a memória e a identidade cultural do povo iorubá. Ele explicou que o termo itã, que significa narrativa ou história, desempenha um papel crucial ao guardar a memória coletiva e oferecer uma compreensão de mundo que reflete a identidade da comunidade. Antônio ressaltou que, no Brasil, essas narrativas têm sido historicamente estigmatizadas e pouco exploradas nas escolas, ao contrário de outras mitologias, que são amplamente aceitas no ambiente escolar.
Por meio dessa nova metodologia, o Caic busca não apenas melhorar as habilidades de leitura e escrita dos alunos, mas também promover um espaço educativo que valorize as diversidades culturais. O projeto representa um passo importante na inclusão de práticas pedagógicas que respeitam e celebram a riqueza da cultura afro-brasileira, contribuindo para um ambiente escolar mais inclusivo e representativo.
O próximo desafio será consolidar os aprendizados adquiridos durante o intercâmbio e implementar as práticas discutidas nas diversas redes de ensino. A expectativa é que o projeto de oralitura se torne um modelo a ser replicado em outras instituições, ampliando seu impacto na educação integral em todo o país.