Reajuste de 55% no querosene impacta aviação civil
Associação Brasileira das Empresas Aéreas alerta sobre consequências severas para novas rotas e serviços devido ao aumento dos custos operacionais.
© Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
O reajuste de 55% no preço do querosene de aviação (QAV), anunciado pela Petrobras no dia 1º de novembro, deve causar "consequências severas" para a aviação civil no Brasil. A avaliação é da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa as principais companhias aéreas do país, incluindo Azul, Gol e Latam.
De acordo com a Abear, esse aumento se soma a um reajuste anterior de 9,4%, válido desde 1º de março, fazendo com que o QAV passe a representar cerca de 45% dos custos operacionais das empresas aéreas. A associação ressalta que essa elevação de custos pode restringir a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, comprometendo a conectividade e a democratização do transporte aéreo no Brasil.
Como o reajuste afeta a aviação civil?
A Abear explica que, apesar de mais de 80% do QAV consumido no Brasil ser produzido internamente, sua precificação é influenciada pela paridade internacional. Essa prática faz com que o preço do combustível seja suscetível às oscilações do mercado global, especialmente as variações do preço do barril de petróleo.
Com a guerra no Irã e as incertezas geopolíticas, os preços do petróleo têm subido, refletindo diretamente nos custos do QAV. O impacto deste reajuste é significativo, pois pode levar a um aumento nos preços das passagens aéreas e a uma possível redução na frequência de voos em determinadas rotas.
Quais são as alternativas para as companhias aéreas?
Para mitigar os efeitos do reajuste, a Petrobras anunciou que permitirá às distribuidoras que atendem à aviação comercial a opção de parcelar o aumento. As companhias poderão optar por um aumento imediato de 18% e parcelar a diferença em até seis vezes, a partir de julho. Essa medida visa facilitar a adaptação das empresas às novas condições de custo, mas ainda assim pode não ser suficiente para evitar impactos negativos.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que, atualmente, os combustíveis representam cerca de 30% dos custos totais das companhias aéreas. Esse cenário exige que as empresas busquem alternativas para reduzir custos e manter a competitividade no setor.
Qual o futuro da aviação no Brasil?
O aumento nos preços do QAV pode levar a uma reavaliação das estratégias das companhias aéreas em relação às suas operações e à expansão de suas rotas. A Abear já manifestou preocupação com a possibilidade de um retrocesso na oferta de serviços aéreos, o que poderia impactar negativamente a mobilidade dos cidadãos e a economia do país como um todo.
As próximas semanas serão cruciais para que as empresas aéreas se ajustem a essa nova realidade. O cenário ainda é incerto, e a resposta do mercado a esses aumentos de custos será observada de perto, com possíveis repercussões para o futuro da aviação civil no Brasil.