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Economia

Sebrae-DF define empreendedorismo feminino como prioridade estratégica para 2026

Liderança da instituição detalha plano de ação com foco em aprendizado flexível, crédito com apoio do Fampe e adaptação à reforma tributária para as empreendedoras.

Redação Redação
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Sebrae-DF define empreendedorismo feminino como prioridade estratégica para 2026

Rose Rainha, diretora do Sebrae-DF.

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal (Sebrae-DF) traça seu rumo para o próximo ano com um eixo central bem definido: o fortalecimento do empreendedorismo feminino como motor do desenvolvimento econômico e social da capital. Em balanço sobre os desafios e prioridades para 2026, a principal liderança da instituição no DF, Rose Rainha, detalhou uma estratégia multifacetada que vai desde a consolidação do movimento Sebrae de empreendedorismo feminino como política de governo até o suporte prático para as empresas navegarem em um cenário de mudanças, como a implementação da reforma tributária.

O movimento, batizado de Movimente, ganhou status de política pública transversal após a assinatura de um decreto pelo governador do DF, mobilizando secretarias e administrações regionais. Segundo Rose Rainha, essa institucionalização garante que o Distrito Federal está "no rumo certo para transformar o DF no melhor lugar do Brasil para a mulher empreender", com um grande evento de impacto previsto para março.

Por que o empreendedorismo feminino é uma estratégia central para o DF?

Para o Sebrae-DF, o empreendedorismo feminino deixou de ser uma pauta de nicho para se tornar uma estratégia de geração de Produto Interno Bruto (PIB). A visão da instituição é baseada em um impacto social comprovado: quando a mulher gera renda, ocorre um reinvestimento maciço dos recursos na educação dos filhos, na melhoria da habitação e no acesso à saúde de toda a família.

A meta para 2026, conforme explicou Rose Rainha, é fazer com que a mulher deixe de ser vista majoritariamente sob a ótica da vulnerabilidade e passe a ser incentivada a assumir seu protagonismo na inovação e na gestão empresarial. O Sebrae se coloca como o articulador desse ecossistema, criando ambientes seguros para negócios, facilitando conexões e fornecendo as ferramentas necessárias para que os empreendimentos liderados por mulheres cresçam de forma sustentável.

Quais são os principais desafios e como o Sebrae-DF planeja superá-los em 2026?

A análise do Sebrae-DF identificou que os obstáculos vão além do capital financeiro. Duas barreiras tão ou mais significativas são o tempo e a confiança. Muitas mulheres acumulam funções domésticas e de cuidado, limitando sua disponibilidade para capacitações tradicionais longas. Paralelamente, a insegurança na tomada de decisões financeiras as impede de buscar crédito ou investir no negócio.

A estratégia para 2026 foi desenhada para enfrentar esses pontos. O Sebrae passará a priorizar formatos de aprendizado ágeis e flexíveis, como microcursos e conteúdos on-demand, que se adaptem à rotina das empreendedoras. Para vencer o receio financeiro, a instituição intensificará o trabalho de educação financeira prática, mostrando como o crédito pode ser uma alavanca segura quando bem planejada, combatendo mitos e preparando as mulheres para uma busca técnica e informada por recursos.

Como o projeto será ampliado para mulheres periféricas, negras e chefes de família?

A estratégia de descentralização e inclusão produtiva continuará em 2026. Após atuar em várias regiões administrativas em 2025, o foco será ampliar também os segmentos econômicos alcançados. O objetivo é reconhecer e valorizar a "engenharia da sobrevivência" – a habilidade intuitiva de gestão que muitas chefes de família já praticam – e transformá-la em gestão profissional.

A intenção é respeitar a identidade e a trajetória dessas mulheres, oferecendo ferramentas tecnológicas e gerenciais acessíveis que resultem em aumento de renda real e sustentabilidade para seus negócios, sejam eles formais ou informais, sem desconsiderar seu contexto de origem.

Como o Sebrae-DF vai apoiar as empresas na reforma tributária e no acesso a crédito?

Diante do início da transição da reforma tributária em 2026, o Sebrae-DF se posiciona como um porto seguro de informação. Rose Rainha reconhece que este será um "ano de teste" do novo modelo, gerando preocupação legítima nos pequenos negócios, que terão custos e riscos operacionais para ajustar sistemas, notas fiscais e rotinas contábeis.

O papel da instituição será traduzir as mudanças em linguagem direta, oferecendo checklists, capacitação rápida, plantões de orientação e suporte contínuo para que as empresas se adaptem sem sustos. Sobre o acesso ao crédito, a postura é de responsabilidade. O Sebrae atuará para facilitar o acesso a recursos para quem tem bons projetos, sempre atrelando o empréstimo a um plano de negócios sólido.

Nesse cenário, o Fundo de Aval para Micro e Pequenas Empresas (Fampe) é apontado como instrumento decisivo. Ele reduz a barreira da garantia real, que muitas vezes trava a aprovação do crédito para quem tem capacidade de pagamento, mas não tem patrimônio para oferecer como penhor. Com o apoio do Fampe, o Sebrae busca tornar viável o crédito, aumentando a chance de aprovação e oferecendo mais segurança tanto para o empreendedor quanto para a instituição financeira.

Qual a visão do Sebrae sobre inovação e transformação digital para os pequenos negócios?

A instituição busca desmistificar a inovação. Para o pequeno empreendedor, inovar não precisa ser algo complexo ou disruptivo. "Inovar, para o pequeno, muitas vezes é usar o WhatsApp Business para responder o cliente em cinco minutos e fechar a venda", exemplificou Rose Rainha.

A transformação digital apoiada pelo Sebrae-DF é, portanto, pragmática: é aquela que economiza tempo do dono do negócio e coloca dinheiro no caixa. Apesar de um cenário macroeconômico que exige cautela, a instituição mantém o otimismo ancorado na reconhecida capacidade de adaptação do empreendedor brasiliense, que, com o suporte técnico adequado, consegue identificar e aproveitar oportunidades mesmo em períodos de ajuste.

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