Senhora P: monólogo sobre violência contra mulheres no Sesc Ceilândia
Espetáculo gratuito aborda questões de gênero e experiências de violência em duas apresentações nos dias 28 e 29 de setembro.
Foto Marcus Xavier
O Sesc Ceilândia receberá o monólogo "Senhora P" em duas apresentações gratuitas nos dias 28 e 29 de setembro, no Teatro Newton Rossi. O espetáculo, que é o primeiro da atriz, diretora e professora de teatro Adriana Lodi, explora diferentes formas de violência contra as mulheres, utilizando a trajetória de uma professora que navega entre memórias, ficção e questionamentos. Desde sua estreia em 2022, "Senhora P" já percorreu mais de 15 cidades do Brasil e, em 2026, está programado para se apresentar em várias localidades do Centro-Oeste, incluindo Goiânia e Alexânia, em Goiás, além de diferentes regiões do Distrito Federal, como Ceilândia, Gama e Plano Piloto.
O que o monólogo aborda sobre a violência de gênero?
O projeto, financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), traz ao Sesc Ceilândia quatro apresentações, além de um debate com o público e uma oficina de experimentação cênica voltada para atores e artistas, todas com entrada gratuita. A obra apresenta uma professora que, durante uma aula sobre autobiograficções, se vê envolvida em um interrogatório sobre um crime do qual não tem conhecimento. A narrativa, que combina depoimentos e memórias, se transforma em um thriller psicológico, provocando a plateia a refletir sobre as diversas manifestações da violência contra as mulheres.
As sessões estão agendadas para às 15h, destinadas a escolas, e às 20h, abertas ao público em geral. Após a apresentação da tarde, Adriana Lodi participará de um bate-papo com os estudantes sobre questões de violência e estereótipos de gênero, abordando como essas temáticas podem se manifestar no ambiente escolar. O espetáculo foi criado coletivamente, utilizando o conceito de autobiograficções, que transforma histórias e experiências em material teatral, sem se restringir a uma representação autobiográfica.
Qual é a importância da obra para a discussão de gênero?
A pesquisa de Adriana Lodi, que integra seu doutorado, investiga práticas artísticas e pedagógicas que utilizam as autobiograficções como ferramentas de invenção nas artes cênicas e nas pedagogias críticas feministas. Para a artista, transformar experiências em linguagem artística pode abrir novas vias de diálogo e identificação. "Quando criamos o espetáculo, acreditamos que essas vivências, ao serem apresentadas artisticamente, deixam de ser apenas individuais e criam uma conexão de empatia com o público", explica.
Embora a obra dialogue com experiências pessoais de Lodi, "Senhora P" não se limita a uma autobiografia. Em vez disso, utiliza elementos desse conceito para ampliar as experiências individuais e relacioná-las a questões coletivas, especialmente as desigualdades de gênero. "As violências contra as mulheres permeiam diversas dimensões da vida. Desde cedo, somos ensinadas a aceitar e silenciar. Ao desenhar a personagem Senhora P, visualizo uma professora em luta e combate. Este espetáculo é um ato político em defesa de uma educação que transforme as relações sociais e enfrente as desigualdades de gênero", conclui a artista.
A programação no Sesc Ceilândia também incluirá a oficina "Autobiograficções – nossas histórias", permitindo que mais participantes explorem suas próprias narrativas e experiências.