Teste do pezinho registra mais de 15,4 mil coletas em 2023
Rede pública de saúde do DF amplia rastreamento de doenças em recém-nascidos, com inclusão de novos testes.
Procedimento é feito a partir da coleta de gotas de sangue do calcanhar do bebê | Fotos: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF
De janeiro a maio de 2023, a rede de saúde pública do Distrito Federal realizou mais de 15,4 mil coletas do teste do pezinho, um exame essencial que permite a detecção precoce de doenças raras em recém-nascidos. A Secretaria de Saúde (SES-DF) informa que, anualmente, cerca de 40 mil testes são realizados, com o objetivo de diagnosticar e intervir precocemente em casos positivos.
O que muda para o cidadão?
O teste do pezinho é um procedimento simples, realizado a partir de gotas de sangue coletadas do calcanhar do bebê, e é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A triagem deve ser feita nos primeiros dias de vida, uma vez que muitas doenças detectáveis não apresentam sintomas iniciais. De acordo com Victor Araújo, responsável técnico distrital em triagem neonatal da SES-DF, a identificação rápida de doenças pode mudar significativamente a vida da criança.
Em 2023, a SES-DF ampliou o escopo do teste, incluindo doenças lisossomais, imunodeficiência combinada grave (SCID) e atrofia muscular espinhal (AME), totalizando 62 condições rastreadas. Essa ampliação visa melhorar a detecção e o tratamento precoce, garantindo que os recém-nascidos recebam os cuidados necessários o mais cedo possível.
Quem tem direito ao benefício?
Todos os recém-nascidos que recebem atendimento nas unidades de saúde da SES-DF têm direito ao teste do pezinho. As amostras são coletadas em diversas localidades, como hospitais, maternidades, casas de parto e unidades básicas de saúde (UBSs), com uma média de 4 mil cartões de coletas recebidos mensalmente. A primeira amostra deve ser realizada entre 24 e 48 horas após o nascimento.
Crianças internadas, como prematuros ou aquelas em unidades de terapia intensiva neonatal (Utins), seguem protocolos específicos, podendo ter até três coletas sequenciais em períodos determinados. Caso haja suspeita de alteração nos resultados, a equipe de saúde contata os familiares para realizar uma segunda coleta no Hospital de Apoio de Brasília (HAB), garantindo maior precisão nos diagnósticos.
Desde 2023, os responsáveis pelos bebês têm acesso à plataforma digital que permite monitorar a produção do laudo em tempo real, facilitando o acompanhamento dos resultados. Victor Araújo destaca a importância da participação dos pais nesse processo, reforçando que o acompanhamento dos resultados é crucial para a saúde das crianças.
A ampliação do teste do pezinho e a modernização do processo de triagem neonatal representam um avanço significativo na saúde pública do Distrito Federal. Esses esforços visam não apenas a detecção precoce de doenças, mas também a redução de custos para a rede pública e o suporte às famílias, evitando complicações de saúde futuras. O compromisso com a saúde infantil se reflete nas ações contínuas da SES-DF, que busca garantir que todas as crianças tenham um início de vida saudável e com as melhores condições de tratamento.