Últimas
Carregando últimas notícias...
Carregando...
☀️ 25°C Brasília
Carregando anúncio...
Brasil

USP lança fábrica de chips “portátil” para reduzir dependência do Brasil

PocketFab é uma linha de produção modular e compacta para fabricar semicondutores em universidades e centros de inovação, com capacidade inicial de 20 wafers por dia.

Redação Redação
• • Nenhum comentário
USP lança fábrica de chips “portátil” para reduzir dependência do Brasil

Segundo a USP, fábricas tradicionais são estruturas grandes, caras e com alto impacto ambiental.

A Universidade de São Paulo (USP) apresentou nesta terça-feira (16) a PocketFab, descrita como a primeira fábrica portátil e modular de semicondutores do mundo. O projeto, desenvolvido no InovaUSP em parceria com Fiesp, Senai e indústria, visa inserir o Brasil no mapa global de produção de chips com um modelo alternativo às gigantes tradicionais.

A estrutura compacta, capaz de realizar desde a litografia até a montagem final, permite que centros de pesquisa desenvolvam e testem protótipos, reduzindo a dependência externa em uma área estratégica da tecnologia.

Como funciona a fábrica de chips portátil da USP?

A PocketFab opera como uma linha piloto completa e modular de produção de semicondutores, condensando em um espaço reduzido os processos que normalmente exigem fábricas (fabs) de milhares de metros quadrados e bilhões em investimento. Seus módulos integrados replicam as principais etapas da fabricação: micromanufatura, litografia (para gravar os circuitos nas lâminas de silício), metalização e o empacotamento heterogêneo, técnica que combina múltiplos chiplets (chips menores) em um único sistema mais potente e eficiente.

Para garantir a precisão nanométrica exigida, a estrutura incorpora módulos de salas limpas (ambientes com controle rigoroso de partículas), além de estações de teste e metrologia para validação da qualidade. Isso permite que a fábrica seja utilizada para desenvolver desde chips para inteligência artificial até sensores para Internet das Coisas (IoT), dispositivos médicos e componentes industriais, servindo tanto à pesquisa acadêmica quanto ao protótipo de startups.

Qual a capacidade de produção da PocketFab?

Na sua configuração inicial, a capacidade produtiva estimada é de cerca de 20 wafers (lâminas de silício) por dia. Cada wafer pode render centenas ou milhares de chips individuais, dependendo do tamanho e complexidade do circuito projetado. O objetivo não é competir em volume com gigantes como TSMC ou Samsung, mas viabilizar a produção contínua de lotes-piloto em escala suficiente para pesquisa, desenvolvimento e pequenas séries, preenchendo uma lacuna crítica no ecossistema de inovação brasileiro.

Por que um modelo portátil e modular é revolucionário?

O modelo tradicional de fábrica de semicondutores é baseado em "megafabs": plantas imensas, que custam dezenas de bilhões de dólares, consomem quantidades gigantescas de energia e água, e estão concentradas geograficamente em poucos países (como Taiwan, Coreia do Sul e EUA). A PocketFab propõe uma ruptura nesse paradigma, substituindo a escala gigante pela modularidade e acessibilidade.

Sua estrutura compacta e reconfigurável pode ser instalada em universidades, institutos de pesquisa e parques tecnológicos, aproximando a capacidade de fabricação dos centros de desenvolvimento. Isso reduz drasticamente a barreira de entrada em termos de custo e infraestrutura, permitindo que o Brasil cultive sua expertise e crie tecnologia local sem a necessidade inicial de um investimento impossível. É uma estratégia de soberania por multiplicação de unidades menores, e não por concentração em uma única aposta bilionária.

Quais os benefícios em sustentabilidade da PocketFab?

Além da acessibilidade, a sustentabilidade é um pilar central do projeto. As fábricas tradicionais de chips estão entre os setores industriais com maior pegada ambiental, devido ao consumo intensivo de água ultrapura, energia e produtos químicos agressivos. A PocketFab foi projetada com foco na eficiência de recursos, consumindo significativamente menos água e energia por wafer produzido.

O uso de áreas menores de salas limpas (que exigem climatização e filtragem de ar 24/7) já representa uma enorme economia energética. A USP vislumbra que, no futuro, esse modelo eficiente possa levar à certificação de "chips verdes", alinhando a produção de microeletrônica às metas ambientais e climáticas. Em um mundo que demanda cada vez mais eletrônicos, oferecer uma rota de fabricação com menor impacto é também uma vantagem competitiva estratégica.

Como a PocketFab se insere nos esforços nacionais de soberania em chips?

O projeto surge em um momento de reconstrução da capacidade nacional em semicondutores, após anos de desinvestimento e o recente processo de revitalização do Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada). A PocketFab não substitui a necessidade de uma fábrica comercial de escala, mas atua como um elemento complementar e fundamental do ecossistema.

Ela funciona como uma infraestrutura de fronteira para pesquisa e formação de talentos, área onde o Brasil mais precisa avançar. Ao colocar uma linha de fabricação real nas mãos de pesquisadores e estudantes, a USP acelera o desenvolvimento de propriedade intelectual nacional e a formação de engenheiros especializados – capital humano essencial para qualquer projeto maior no futuro. É um degrado estratégico para reconectar o país a essa cadeia global.

Qual o papel das parcerias no projeto?

O desenvolvimento da PocketFab é fruto de uma parceria tripla hélice robusta. Liderada pelo InovaUSP, contou com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que garantiram a conexão com as necessidades do setor produtivo e a capacitação técnica. A colaboração com a indústria privada foi crucial para o desenvolvimento dos equipamentos modulares e para a visão de aplicação prática. Esse modelo de cooperação é visto como essencial para a viabilidade de longo prazo da iniciativa.

Qual o impacto potencial dessa tecnologia para startups e indústria?

A PocketFab pode ser um divisor de águas para startups de deep tech e hardware no Brasil. Atualmente, desenvolver um protótipo de chip requer envio do projeto para fábricas no exterior (serviço conhecido como multi-project wafer, ou MPW), um processo caro, lento e burocrático. Com a fábrica portátil, empresas nascentes poderão iterar e testar seus designs com muito mais agilidade e menor custo, encurtando ciclos de desenvolvimento de anos para meses.

Para a indústria nacional, a existência dessa infraestrutura facilita a customização de chips para aplicações específicas nos setores de agronegócio, defesa, saúde e automação industrial, onde soluções padrão do mercado global muitas vezes não são ideais. A capacidade de produzir lotes pilotos localmente incentiva a inovação embarcada em produtos de maior valor agregado, fortalecendo a competitividade da indústria brasileira em setores de alta tecnologia.

Tags

PocketFab USP fábrica de chips semicondutores Brasil soberania tecnológica chips portáteis InovaUSP Fiesp Senai Ceitec indústria 4.0 inovação tecnológica

Compartilhe

Notícias Relacionadas

Carregando anúncio...