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Distrito Federal

Zona Verde: Ibaneis Descarta Projeto que Previa Estacionamento Pago

Governador afirma que decidiu não implementar projeto após estudos; audiência pública na CLDF seria realizada nesta terça.

Redação Redação
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Zona Verde: Ibaneis Descarta Projeto que Previa Estacionamento Pago

Projeto Zona Verde previa estacionamento pago no Plano Piloto

O governador Ibaneis Rocha anunciou nesta segunda-feira (1º/12) a decisão de não implementar o projeto Zona Verde, que previa a cobrança por estacionamento em áreas públicas do Plano Piloto de Brasília. A medida, que seria realizada através de concessão à iniciativa privada, foi descartada após conclusão dos estudos técnicos, com apoio da vice-governadora Celina Leão.

A decisão ocorre um dia antes de audiência pública na CLDF sobre o tema.

O que era o projeto Zona Verde do Distrito Federal?

A Zona Verde consistia em um projeto de concessão de áreas públicas para operação de estacionamentos privados em regiões estratégicas do Plano Piloto. As áreas contempladas incluíam as quadras comerciais das Asas Sul e Norte, Setor Sudoeste, setores bancários Sul e Norte, Esplanada dos Ministérios e trechos do Eixo Monumental. A iniciativa visava organizar o estacionamento nessas regiões, que enfrentam crônicos problemas de vagas disponíveis.

O modelo proposto seguiria parâmetros similares a programas implementados em outras capitais brasileiras, onde a gestão privada do estacionamento em via pública busca reduzir o tempo de busca por vagas, melhorar o fluxo viário e gerar receitas para o poder público através de concessões. A Zona Verde representava uma mudança significativa na política de mobilidade urbana do Distrito Federal, tradicionalmente baseada em estacionamento gratuito nas vias públicas.

Quais foram os argumentos para o cancelamento do projeto?

Ibaneis Rocha justificou a decisão com base nos estudos técnicos realizados pelo governo, que apontaram aspectos negativos superando os potenciais benefícios. O governador mencionou especificamente o apoio da vice-governadora Celina Leão na decisão, indicando consenso dentro do governo sobre a inconveniência de implementar a medida neste momento. Embora não tenham sido divulgados detalhes específicos dos estudos, questões como impacto no comércio local, aceitação popular e custos políticos provavelmente influenciaram a análise.

A declaração ocorreu em um contexto de crescente pressão de comerciantes, trabalhadores e moradores do Plano Piloto contra a implementação da Zona Verde. Grupos organizados argumentavam que a cobrança por estacionamento desestimularia clientes do comércio local e oneraria trabalhadores que dependem de veículos particulares para seus deslocamentos diários.

Como estava o processo legislativo do projeto antes do cancelamento?

A Câmara Legislativa do DF havia agendado uma audiência pública para esta terça-feira (2/12) para discutir o projeto, convocada pela deputada distrital Paula Belmonte (Cidadania). O evento representaria oportunidade para diferentes segmentos da sociedade se manifestarem sobre a proposta antes de qualquer decisão definitiva do executivo. A audiência seguirá normalmente, mas agora com foco na análise dos motivos do cancelamento e em alternativas para os problemas de estacionamento na região.

O timing do anúncio - um dia antes da audiência - sugere que o governo preferiu antecipar sua posição definitiva ao invés de permitir que o debate público se desenvolvesse sob incerteza sobre suas intenções. Esta abordagem pode ser interpretada como tentativa de evitar confronto direto com setores contrários ao projeto durante o evento legislativo.

Quais eram as principais críticas ao projeto Zona Verde?

Opositores ao projeto argumentavam que a Zona Verde representaria mais um ônus financeiro para cidadãos que já enfrentam altos custos de vida na capital federal. Comerciantes temiam redução no fluxo de clientes, especialmente em estabelecimentos onde a permanência média dos consumidores é breve. Trabalhadores que atuam nas regiões contempladas também manifestavam preocupação com aumento em suas despesas diárias de deslocamento.

Especialistas em mobilidade urbana dividiam-se: alguns defendiam a medida como necessária para desestimular o uso excessivo do automóvel e liberar vagas para rotatividade, enquanto outros questionavam a prioridade da iniciativa em um contexto onde o transporte público ainda apresenta deficiências significativas. A falta de alternativas de transporte de qualidade foi frequentemente citada como fator que tornaria a cobrança por estacionamento especialmente penalizante para populações de baixa renda.

Quais os problemas de estacionamento que o projeto buscaria resolver?

O Plano Piloto enfrenta históricos desafios de estacionamento, particularmente nas quadras comerciais e áreas de grande concentração de serviços. Fenômenos como "estacionamento de longa duração" - onde funcionários ocupam vagas públicas durante todo o dia útil - reduzem a disponibilidade para clientes e visitantes, prejudicando o comércio local. A falta de rotatividade também contribui para congestionamentos, já que motoristas circulam repetidamente em busca de vagas disponíveis.

A Zona Verde pretendia abordar estes problemas através de tarifação que desestimulasse o uso prolongado das vagas e gerasse recursos para melhorias na infraestrutura de mobilidade urbana. O modelo de concessão privada buscaria transferir ao setor particular a gestão operacional do sistema, com o governo mantendo papel regulador e fiscalizador.

Quais alternativas podem ser consideradas após o cancelamento?

Com a decisão de descartar a Zona Verde, o governo do DF precisará desenvolver alternativas para os problemas de estacionamento no Plano Piloto. Possíveis abordagens incluem a ampliação da oferta de vagas em estacionamentos subterrâneos ou em estruturas elevadas, melhorias na integração com transporte público para reduzir a dependência do automóvel, e implementação de políticas de estacionamento diferenciadas por horário e tipo de usuário.

A Secretaria de Mobilidade do DF poderá também considerar programas de compartilhamento de vagas entre estabelecimentos com horários de pico complementares, ou incentivos para que empresas adotem políticas de home office que reduzam a demanda por estacionamento em dias úteis. A experiência de outras cidades que implementaram sistemas de estacionamento tarifado sem concessão privada também pode oferecer modelos alternativos.

Qual o impacto político da decisão em véspera de eleições municipais?

A decisão de cancelar a Zona Verde ocorre em um contexto político sensível, com eleições municipais se aproximando. O anúncio pode ser interpretado como movimento para evitar desgaste político em um tema potencialmente impopular entre eleitores urbanos. Ao descartar o projeto antes da audiência pública, o governo controla a narrativa e evita que oposicionistas utilizem o evento para mobilizar críticas contra sua gestão.

Analistas políticos avaliam que a decisão reflete cálculo eleitoral cuidadoso, onde os benefícios potenciais da Zona Verde (organização do trânsito, receitas adicionais) foram considerados inferiores aos custos políticos de implementar medida impopular. A referência ao apoio da vice-governadora também reforça unidade na cúpula do governo em momento onde demonstrações de dissenso poderiam ser exploradas politicamente.

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