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Educação

Agricultura Familiar Abastece 697 Escolas Públicas do DF com Alimentos Frescos

Programa beneficia 983 famílias produtoras e fornece frutas, verduras e laticínios para meio milhão de refeições diárias na rede pública de ensino.

Redação Redação
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Agricultura Familiar Abastece 697 Escolas Públicas do DF com Alimentos Frescos

Os estudantes demonstram alta aceitação aos alimentos fornecidos pela agricultura familiar.

O Programa de Alimentação Escolar do Distrito Federal (PAE-DF) abastece 697 escolas públicas com produtos da agricultura familiar, beneficiando 983 famílias produtoras e garantindo alimentação de qualidade para aproximadamente 500 mil refeições diárias.

O programa, que já repassou mais de R$ 22,7 milhões aos agricultores familiares em 2025, oferece 39 tipos de alimentos entre frutas, verduras, legumes e laticínios, com previsão de inclusão de mel e filé de tilápia em 2026.

Como o programa beneficia estudantes e agricultores familiares simultaneamente?

O Programa de Alimentação Escolar do DF estabelece um ciclo virtuoso de desenvolvimento que conecta diretamente produtores rurais e estudantes. Por um lado, garante alimentação nutritiva e diversificada para meio milhão de refeições diárias em escolas públicas, impactando positivamente o rendimento escolar e a formação de hábitos alimentares saudáveis. Por outro, oferece mercado estável e remunerador para 983 famílias da agricultura familiar, injetando mais de R$ 22,7 milhões na economia rural somente em 2025.

Como explica o secretário de Agricultura, Rafael Bueno:

"Ao trazer para as escolas produtos frescos, de qualidade e de alto valor nutricional, nós fortalecemos o produtor rural, criamos oportunidades de renda no campo e contribuímos de forma direta para a segurança alimentar de milhares de famílias".

Esta dupla função social transforma a merenda escolar em política pública estruturante com impactos educacionais, econômicos e sociais integrados.

Quais alimentos da agricultura familiar chegam às escolas do DF?

As escolas recebem 39 gêneros alimentícios provenientes da agricultura familiar, incluindo frutas (banana, goiaba, morango, maracujá, tangerina, limão, abacate), verduras e legumes (abóbora, alface, batata, cenoura, couve, tomate, cebola) e produtos lácteos como queijo, manteiga e iogurte. A diversificação é constante: em 2025 foram incluídos tomate-cereja e quiabo, enquanto para 2026 estão planejadas a incorporação de mel e filé de tilápia aos cardápios.

Para garantir o frescor dos alimentos, os produtos são colhidos no fim de semana e entregues às escolas na segunda-feira, assegurando qualidade nutricional máxima. Nutricionistas da Secretaria de Educação realizam visitas periódicas para avaliar os itens recebidos, mantendo rigoroso controle de qualidade em toda a cadeia de fornecimento.

Como funciona a gestão integrada entre as secretarias envolvidas?

A execução do programa é coordenada pelo Grupo de Acompanhamento da Agricultura Familiar, estabelecido pela Portaria Conjunta nº 9/2020 e composto por Secretaria de Educação (SEEDF), Secretaria de Agricultura (Seagri-DF) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF). Este grupo gestor realiza estudos técnicos para verificar disponibilidade de produtores, capacidade de produção e viabilidade de inclusão de novos itens nos cardápios escolares.

A Emater-DF desempenha papel fundamental ao orientar os agricultores desde o planejamento do plantio até a entrega final, oferecendo assistência técnica contínua, acompanhamento da produção e apoio na documentação necessária para participação nas chamadas públicas. Segundo o presidente Cleison Duval, "o PNAE é uma política pública estruturante porque não apenas compra alimentos: ele organiza e fortalece toda uma cadeia produtiva".

Qual o impacto financeiro do programa para a agricultura familiar do DF?

Os números demonstram investimento significativo na agricultura familiar através do programa. Foram pagos mais de R$ 22,7 milhões aos grupos formais da agricultura familiar com contratos vigentes, correspondendo a 42,5% do valor repassado pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Além disso, a Secretaria de Educação realizou compras com recursos próprios do GDF que somam mais de R$ 8,6 milhões.

Atualmente, 18 contratos ativos com cooperativas e associações da agricultura familiar totalizam mais de R$ 57,2 milhões em valor contratual. Esta injeção de recursos tem efeito multiplicador na economia rural, garantindo renda estável, diversificação produtiva e incentivo a práticas agrícolas sustentáveis.

Como é a logística de distribuição para garantir a qualidade dos alimentos?

A logística do programa foi projetada para maximizar o frescor e a qualidade nutricional dos alimentos. Os produtos são colhidos no final de semana imediatamente anterior à entrega e distribuídos às escolas na segunda-feira, minimizando o tempo entre colheita e consumo. Esta estratégia preserva vitaminas, minerais e características organolépticas essenciais para uma alimentação escolar de qualidade.

A organização da entrega é elogiada pelas escolas. Cynara Martins, diretora do Centro de Ensino Médio 1 do Guará, relata: "Os produtos chegam toda segunda-feira. A pessoa recebe, dá uma olhadinha, e se tiver alguma coisa com problema eles mesmos já trocam. Eles são muito atenciosos, nunca nos deram qualquer dificuldade". Esta eficiência logística é fundamental para o sucesso do programa em larga escala.

Qual a percepção dos estudantes sobre a qualidade da alimentação escolar?

Os estudantes demonstram alta aceitação aos alimentos fornecidos pela agricultura familiar. Adam Brandão, de 17 anos, do Centro de Ensino Médio 1 do Guará, compartilha sua percepção: "Eu acho a alimentação daqui muito boa, de verdade. Ela é cheia de nutrientes, tem muita salada e as tias cozinham muito bem. Sempre há bastante variedade. A gente sabe que pode comer bem aqui e, assim, se concentrar melhor nos estudos".

Esta valorização da alimentação saudável pelos estudantes reflete o trabalho integrado entre qualidade dos insumos, preparo adequado pelas merendeiras e educação alimentar desenvolvida nas escolas. A merendeira Elivania Nogueira reforça: "cozinho como se fosse para os próprios filhos, nunca servindo algo de má qualidade", e recebe feedback positivo diário dos alunos.

Como o programa contribui para a segurança alimentar e nutricional?

O PAE-DF representa pilar fundamental da política de segurança alimentar e nutricional do Distrito Federal. Ao garantir que mais de 50% dos gêneros alimentícios utilizados na alimentação escolar sejam oriundos da agricultura familiar, o programa assegura acesso regular a alimentos frescos e nutritivos para meio milhão de estudantes, muitos dos quais dependem da escola como principal fonte de nutrição adequada.

A diversificação dos cardápios - que inclui diariamente frutas e verduras - contribui para a formação de hábitos alimentares saudáveis desde a infância e adolescência, com potencial impacto duradouro na saúde das futuras gerações. A inclusão progressiva de novos alimentos, respeitando a sazonalidade e a produção local, mantém o programa dinâmico e adaptado às possibilidades da agricultura familiar regional.

Quais os desafios e perspectivas de expansão do programa?

O programa enfrenta desafios como escalabilidade da produção para atender toda a demanda, manutenção da qualidade em larga escala e logística de distribuição para escolas em regiões mais distantes. No entanto, as perspectivas são positivas, com planos de incluir novos produtos como mel e filé de tilápia em 2026 e ampliar a participação da agricultura familiar para além dos atuais 50% dos gêneros alimentícios.

A expansão gradual segue metodologia criteriosa: para cada novo produto, o grupo gestor analisa a produção disponível no DF e Entorno, capacidade de fornecimento sustentável e viabilidade de inserção nos cardápios. Esta abordagem sistemática garante que o crescimento do programa ocorra de forma estruturada e sustentável.

Como o programa se compara a iniciativas similares em outras unidades federativas?

O PAE-DF destaca-se nacionalmente pela alta porcentagem de participação da agricultura familiar (acima de 50%), pela diversidade de produtos oferecidos (39 itens) e pela estrutura de gestão integrada entre educação, agricultura e extensão rural. Enquanto muitos estados ainda lutam para atingir o mínimo de 30% estabelecido por lei, o Distrito Federal já supera significativamente esta marca.

O modelo de governança com grupo gestor tripartite tem sido referência para outras unidades federativas, demonstrando como a integração intersetorial pode potencializar resultados tanto na qualidade da alimentação escolar quanto no fortalecimento da agricultura familiar. O sucesso do programa no DF tem inspirado adaptações desta metodologia em diferentes regiões do país.

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